segunda-feira, 17 de maio de 2010

Isto não é um cachimbo



Conforme falei na postagem anterior sobre Magritte, muitos acadêmicos estudaram e estudam seus desenhos.Esse é um trecho do livro: Isto não é um cachimbo de Michel Foucault sobre a arte dialética de Magritte. "O desenho de Magritte (só falo por ora da primeira versão) é tão simples quanto uma página tomada de um manual de botânica: uma figura e o texto que a nomeia. Nada mais fácil de reconhecer do que um cachimbo desenhado como aquele; nada mais fácil de pronunciar – nossa linguagem bem o sabe em nosso lugar – do que o "nom d'une pipe". Ora, o que produz a estranheza dessa figura não é a "contradição" entre a imagem e o texto. Por uma boa razão: não poderia haver contradição a não ser entre dois enunciados, ou no interior de um único e mesmo enunciado. Ora, vejo bem aqui que há apenas um, e que ele não poderia ser contraditório, pois o sujeito da proposição é um simples demonstrativo. Falso, então, porque seu "referente" – muito visivelmente um cachimbo -não o verifica? Mas quem me dirá seriamente que este conjunto de traços entrecruzados, sobre o texto, é um cachimbo? "

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