domingo, 13 de junho de 2010

O tcheco que deu samba



A música que se ouvia no momento da invenção dos métodos de gravação era bastante diferente daquilo que se pode ouvir hoje, mesmo como registro histórico. O samba antes de ser gravado, era música para ser cantada numa roda de pessoas nas horas de lazer. Para isso não precisava de letras, como se entende agora, mas apenas de um refrão que todos pudessem repetir, ao qual se entremeava um verso improvisado. Na falta de instrumentos acompanhava-se o canto das palmas. A palavra "samba" designava tanto a música como a reunião, o encontro. As primeiras gravações no Brasil começaram com a chegada de um imigrante tcheco chamado Frederico Figner que desembarcou em Belém do Pará em agosto de 1891. Trazia na bagagem um fonógrafo de cera, matéria-prima necessária para gravar vozes. Ouvir uma voz gravada nessa época era uma experiência única, que as pessoas pagavam por essa maravilha.Figner sabendo disso, trouxe a novidade, passou a cobrar um valor para as pessoas gravarem suas vozes, qualquer bravata era gravada, e todos se reunião para ouvir a novidade. Em abril de 1892, Figner foi para o Rio de Janeiro e desenvolveu outra técnica, passou a chamar músicos de rua, cantores locais para gravar suas composições, tudo era gravado no quintal da sua loja de discos, o seu trabalho improvisado, acabou por transforma Figner no pioneiro no ramo de gravações de discos nacionais. A impossibilidade de gravar instrumentos de percussão e corais, dadas as condições técnicas da época, obrigava mudanças na própria maneira de cantar. Com o tempo os artistas locais passaram a ser reconhecidos nas ruas, mudando os hábitos do cotidiano da cidade. E, 1916, um gênio chamado Donga percebeu que a música gravada já tinha presença suficiente para se tornar o ponto central da produção. Então ele juntou pedaços de músicas que faziam sucesso, surgindo assim o samba, criado especificamente para o Rio de Janeiro, e que depois ficou conhecido por todo o Brasil. Logo depois veio o Jazz, muito próximo do primeiro lançamento do Donga. O mais interessante em tudo isso é que tudo começou com um tcheco que mal falava o português.
fonte:Revista História Viva,ano 1, número 1 - Nov. 2003, p. 68,69 e 70.

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